terça-feira, 24 de dezembro de 2019

História e durações-tempo

            
Todo trabalho histórico decompõe o tempo passado, faz escolhas em meio as suas realidades cronológicas, de acordo com preferências e exclusividades mais ou menos conscientes. 
A história tradicional , atenta ao tempo breve , ao indivíduo ao acontecimento , habituou-se há muito a seu relato precipitado , dramático, de curto fôlego.

A nova história econômica e social traz para o primeiro plano  de sua pesquisa a oscilação cíclica e aposta em sua duração [...].assim , há hoje, ao lado do relato ( ou " recitativo tradicional") um recitativo de conjuntura que questiona  o passado por amplas faixas temporais: dezenas, vintenas ou cinquentenas de anos.

Muito além desse segundo recitativo , situa-se uma história de fôlego ainda mais longo , essa, de amplidão secular:  história de longa e até mesmo de muito longa duração [...] é de uma outra , de um polo ao outro do tempo,  do instantâneo à longa duração que vai se situar nossa discussão;

BRAUDEL, Fernand. História e ciências sociais: a longa duração. 2011 p.90. v.1

Sobre a História

 Dentro da História

"Ora, a história é a matéria-prima para as ideologias nacionalistas ou étnicas ou fundamentalistas, tal como as papoulas são a matéria-prima para o vício da heroína. O passado é um elemento essencial, talvez o elemento essencial nessas ideologias. Se não há nenhum passado satisfatório, sempre é possível inventá-lo.[...]  O passado legitima. O passado fornece um pano de fundo mais glorioso a um presente que não tem muito o que comemorar.


Eu me lembro de ter visto em algum lugar um estudo sobre a civilização antiga das cidades do vale do Indus com o título Cinco mil anos de Paquistão. O Paquistão nem mesmo era cogitado antes de 1932-3, quando o nome foi inventado por alguns militantes estudantis. Apenas se tornou uma demanda política séria a partir de 1940. Como Estado apenas existiu a partir de 1947.[....]  Mas, de certo modo, 5 mil anos de Paquistão soam melhor do que 46 anos de Paquistão. Nessa situação os historiadores se veem no inesperado papel de atores políticos. Eu costumava pensar que a profissão de historiador, ao contrário, digamos, da de físico nuclear, não pudesse, pelo menos, produzir danos. Agora sei que pode.[....]  Essa situação nos afeta de dois modos. Temos uma responsabilidade pelos fatos históricos em geral e pela crítica do abuso político-ideológico da história em particular.
Pouco preciso dizer sobre a primeira dessas responsabilidades. Não teria nada a dizer, não fosse por duas circunstâncias. Uma delas é a moda atual de os romancistas basearem seus enredos na realidade constatada em lugar de inventá-los, confundindo com isso a fronteira entre fato histórico e ficção. A outra é a ascensão das modas intelectuais “pós-modernas” nas universidades ocidentais, particularmente nos departamentos de literatura e antropologia, as quais implicam que todos os “fatos” com existência pretensamente objetiva não passam de construções intelectuais — em resumo, que não existe nenhuma diferença clara entre fato e ficção. Mas existe, e para nós, historiadores, inclusive para os antipositivistas mais intransigentes, a capacidade de distinguir entre ambos é absolutamente fundamental. Não podemos inventar nossos fatos. Ou Elvis Presley está morto ou não. A questão pode ser resolvida inequivocamente com base em evidências, na medida em que se disponha de evidências confiáveis, o que, às vezes, é o caso. Ou o governo turco atual, que nega a tentativa de genocídio dos armênios em 1915, está correto ou não. A maioria de nós não consideraria como discurso histórico sério uma negação desse massacre, embora não haja nenhuma maneira igualmente inequívoca

[...]Temos de resistir à formação de mitos nacionais, étnicos e outros, no momento em que estão sendo formados. Isso não nos fará populares. [...] Mas isso tem que ser feito, e espero que os historiadores aqui presentes o façam. Isso é tudo que eu queria dizer sobre o dever dos historiadores. Porém, antes de terminar, quero lembrar mais uma coisa. Como estudantes desta universidade, vocês são pessoas privilegiadas. As perspectivas são as de que, como bacharéis de um instituto conhecido e prestigiado, irão obter, se assim escolherem, uma ótima condição na sociedade, carreiras melhores e ganhos maiores que os de outras pessoas, embora não tanto quanto os de prósperos homens de negócios. O que eu quero lembrar a vocês é algo que me disseram quando comecei a lecionar em uma universidade. “As pessoas em função das quais você está lá”, disse meu próprio professor, “não são estudantes brilhantes como você. São estudantes comuns com opiniões maçantes, que obtêm graus medíocres na faixa inferior das notas baixas, e cujas respostas nos exames são quase iguais. Os que obtêm as melhores notas cuidarão de si mesmos, ainda que seja para eles que você gostará de lecionar. Os outros são os únicos que precisam de você.” Isso não vale apenas para a universidade mas para o mundo. Os governos, o sistema econômico, as escolas, tudo na sociedade não se destina ao benefício das minorias privilegiadas. Nós podemos cuidar de nós mesmos. É para o benefício da grande maioria das pessoas, que não são particularmente inteligentes ou interessantes (a menos que, naturalmente, nos apaixonemos por uma delas), não têm um grau elevado de instrução, não são prósperas ou realmente fadadas ao sucesso, não são nada de muito especial. É para as pessoas que, ao longo da história, fora de seu bairro, apenas têm entrado para a história como indivíduos nos registros de nascimento, casamento e morte. Toda sociedade na qual valha a pena viver é uma sociedade que se destina a elas, e não aos ricos, inteligentes e excepcionais, embora toda sociedade em que valha a pena viver deva garantir espaço e propósito para tais minorias. Mas o mundo não é feito para o nosso benefício pessoal, e tampouco estamos no mundo para nosso benefício pessoal. Um mundo que afirme ser esse seu propósito não é bom e não deve ser duradouro.

HOBSBAWM,Eric.Sobre história. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.p17-21

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Discurso de Saint Just , na convenção

Saint Just :

“Há nesta assembleia, ao que parece, alguns ouvidos sensíveis que não suportam bem a palavra “sangue”.
Algumas considerações sobre a natureza e a história talvez possa convencê-los de que não somos mais cruéis do que a natureza e o tempo. A natureza segue suas leis, tranquila e irresistivelmente; onde quer que entre em conflito com eles, o homem é esmagado. Uma simples mudança na composição do ar, um súbito avivar-se do fogo telúrico, uma oscilação do equilíbrio de uma massa de água, uma epidemia, uma erupção vulcânica, umas inundações são suficientes para sepultar milhares de seres humanos.

 E qual o resultado? Apenas uma modificação insignificante da natureza física, mal perceptível no aspecto geral desta e que passaria despercebida, se não ficassem cadáveres no seu caminho. 

Pergunto, agora deverá a natureza moral, sem suas revoluções, ter mais considerações do que a física? 

Não assistirá a uma ideia, do mesmo modo que uma lei física, o direito de destruir tudo o que se lhe oponha?

 E um acontecimento que modifica a inteira natureza de uma estrutura moral, isto é, da humanidade, não teria o direito de passar através do “sangue”? 

O espírito do Universo serve-se na esfera espiritual, do nosso braço, tal como, na esfera física, dos vulcões e das inundações. Que importa que se morra por obra de uma epidemia ou da Revolução?

 Os passos da humanidade são lentos e se contam por séculos; atrás de cada um deles, erguem-se os túmulos de gerações inteiras. A conquista dos menores inventos e dos mais simples princípios custou a vida de milhões de homens, que pereceram no caminho. Num tempo que a marcha da história é mais rápida, não será natural que a um número maior de homens venha faltar respiração. 

A conclusão é simples e breve: já que todos fomos criados em condições iguais, somos todos iguais , descontadas as diferenças que a própria natureza estabeleceu, logo, todos podem ter prerrogativas, ninguém pode ter privilégios, que se trate de indivíduos, quer se trate de classes mais ou menos numerosas de indivíduos.

Cada termo desta proposição, ao traduzir-se em realidade, já matou seus homens.
O 14 de julho, o 10 de agosto, o 31 de maio são seus sinais de pontuação. Foram-lhe necessários quatro anos para se tornar realidade no mundo corporal; em circunstâncias normais, teria precisado de um século e estar pontuada por gerações. Será, pois de admirar, que cada novo parágrafo, a cada nova curva, o caudal da revolução despeje seus cadáveres? 

A essa proposição, precisamos acrescentar algumas conclusões; umas poucas centenas de cadáveres deverão impedir-nos de fazê-lo?

Moisés guiou seu povo, através do Mar Vermelho, para o deserto, onde aguardou , antes de fundar o novo Estado, que a velha e corrupta geração se consumisse. Legisladores! Nós não temos o mar vermelho, nem o deserto, mas temos a guerra e a guilhotina.

A Revolução é como as filhas de Pélias: desmembra a humanidade para rejuvenesce-las. Desta caldeira de sangue, a humanidade submergirá, como a Terra das águas do dilúvio, com forças novas e primigênias, como se fora criada pela primeira vez.

Convidamos todos os inimigos secretos da tirania, que, na Europa e no mundo inteiro, trazem suas vestes o punhal de bruto a partilharem conosco deste momento sublime”


Fonte: Livro => A morte de Danton por Georg Buchner


segunda-feira, 20 de maio de 2019

Temporalidade e Tempo



DIMENSÃO DA HISTORICIDADE NO SER HUMANO


Essência da História Individual de cada Ser Humano


- Cada um tem sua história e faz sua própria história.

- Cada um terá seu fim. O homem é um "ser-para-a-morte".

- Cada um quer justificar sua vida, dar-lhe sentido.

- A maioria quer assumir o sentido de sua vida.

- Cada história individual faz parte da história coletiva.

- Tomar consciência de si próprio depende da consciência da história universal.


1) TEMPORALIDADE E TEMPO


- Cada indivíduo deve percorrer, num processo irreversível, as fases de sua vida.

- O modo de ser homem é a sucessão de momentos aonde suas chances e dificuldades apresentam-se diferentes em cada uma das fases de sua vida.


O que é Temporalidade?


- Sucessão das várias fases da vida.

- A temporalidade NÃO se confunde como Tempo.

- A temporalidade é uma característica do Indivíduo consciente de sua mortalidade.

- É a temporalidade que determina para o indivíduo que:

  Cada uma de suas ações e decisões não podem ser retrocedidas.


O que é Tempo?


- É a medida do movimento segundo o "antes" e o "depois". (Aristóteles - 384 - 322 a.C.)

- O tempo é um conceito subjetivo criado pela sociedade humana, para explicar a base das transformações da sociedade. (Kant - 1724 - 1804)


Tempo é um conceito.


Tipos conceituais de Tempo:


1) Tempo Físico:

- É a sucessão de instantes (segundos, minutos, horas, dias etc).

- É retilíneo, contínuo e regular.

- Nele, só presente é real.

- Representado na mitologia grega por "Cronos", que devora seus próprios filhos.

Obs.:Não é o tempo da Física Quântica.


2) Tempo Circular:

- Nietzsche: "O eterno retorno".

- A realidade humana não tem começo nem fim. Tudo volta a se repetir de tempos em tempos. (Este conceito não tem adeptos na filosofia nem na ciência)


3) Tempo Sagrado:

- O tempo é linear, tem começo na criação do planeta terra por Deus e terá seu final na consumação dos tempos (Juízo Final).

- O tempo sagrado é repetível e recuperável, como por exemplo: arrependimento.


4) Tempo Vivencial:

- É o tempo subjetivo, é o tempo de cada um, de acordo com suas emoções e sentimentos.

- Não se relaciona em nada com a marcha objetiva do tempo.


5) Tempo Antropológico:

- É tridimensional: "Agora", "Antes" e "Depois".

- É o tempo físico enquanto está na consciência.

- Envolve a consciência do ser humano de seu corpo e seu espírito.


Santo Agostinho:

O presente é a passagem do "ainda não" para o "não mais".

O passado é diferente do presente e do futuro, mas não existe sem eles.

A consciência / alma / espírito tem uma duração que transcende o presente.


- O tempo antropológico é a conexão do presente com o passado e o futuro.

- O tempo antropológico é a ESTRUTURA FUNDAMENTAL da existência humana.


2) HISTORICIDADE


- A historicidade é o tempo antropológico (Tridimensional) com o conteúdo das histórias individuais e da coletividade (Sociedades).

- A historicidade tem como objetivo a auto-realização do ser humano.

- A auto-realização pressupõe a liberdade, só que ela é finita.

- O ser humano está "esticado" entre o passado e o futuro.

- Seu PRESENTE É, FOI e SERÁ.

- Na historicidade, o passado não pode ser mudado, embora continue agindo sobre o presente, seja como capacidades adquiridas seja como recalques, falhas, culpas etc.

- O passado só poderá ser modificado no seu sentido para minha consciência através de duas possibilidades: psicoterapia ou decisão própria de assumir responsabilidade (aprender com os erros).

- O futuro é aberto, porque depende da liberdade de escolha.


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O HOMEM É UM SER TEMPORAL E HISTÓRICO EM TODAS AS SUAS AÇÕES

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1) Percepção dos sentidos humanos:

- A percepção é mediada pelo tempo. Quando tomamos consciência da percepção de uma determinada realidade, esta realidade já se modificou.

- Nossa percepção é também tridimensional, nossa mente constrói o passado e futuro da percepção presente.

- De percepções parciais criamos mentalmente a percepção total de uma realidade.


2) As decisões humanas:

- Decidir é resolver problemas do "antes" (passado) no "agora" (presente) para que este problema não atrapalhe o "depois" (futuro).


3) Hábitos humanos:

- Hábito é uma facilidade nas ações do presente, que adquirimos no passado.

- Qualquer ação humana pode tornar-se hábito, ser padronizada.

- A antropologia considera os hábitos um tipo de progresso humano, porque ele (os hábitos) dispensa o cérebro do esforço de decidir.


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A HISTORICIDADE HUMANA É UMA TENSÃO PARA CADA INDIVÍDUO, QUE O ATORMENTA PERMANENTEMENTE.

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A constituição da vida humana resume-se no mundo (real) associado ao tempo. A vida humana está em algum lugar entre o pré-dado (antes), mas que continua agindo encurtando o tempo presente (agora) e entre a pre-ocupação com um futuro aberto (depois).

A historicidade é uma tensão entre liberdade e determinação. Nem tudo que se pode fazer na vida, pode ser feito agora. Mas é preciso agilidade de pensamento e visão de conjunto para compreender as situações individuais e as situações sociais que precisam da ação no agora e as que podem retornar mesmo diferentes de alguma forma.


3) A CONSCIÊNCIA HISTÓRICA


- A história como realidade é o ser dos fatos, o movimento real da humanidade através dos tempos.

- A história como ciência é o conhecimento metódico e crítico das interpretações que os fatos "ganharam" e a relação entre eles.

- A história é a realidade compreendida como sequência de transformações das condições da vida humana e como estas transformações são interpretadas e reinterpretadas através dos tempos.


Postura da consciência humana em relação à história:


a) Consciência historiadora:

- Análise cientificamente "objetiva" do passado, "sem" julgamentos de valores éticos, raciais, religiosos, econômicos etc.

- O passado é PASSADO.

- O passado é, apenas, um objeto de estudo.


b) Consciência histórica:

- Análise do passado a partir de quem faz esta análise.

- Quem analisa o passado sabe-se parte dele, atingido por ele e, envolvido com os homens que viverem naquele passado.

- Quem analisa sente que é participante do passado histórico da humanidade.

- Tem um sentido global das várias concepções de homem em várias épocas diferentes do passado.

- Tem um sentido espiritual (de consciência individual) que orienta a vida de cada pessoa em seu presente.




BIBLIOGRAFIA


RABUSKE, Edvino A. Antropologia filosófica: um estudo sistemático. 10.ed Petrópolis: Vozes, 1986. p.158-172.

Fonte: 
http://cleitonrezende1.blogspot.com/2010/07/mini-curso_26.html

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Tirania: recusar servir é recusar oprimir

"Um jovem de 17 anos, chamado La Boétie, se ergueu contra a titânia existente na França, governada por um rei despótico.

Esse jovem perguntava: como explicar que milhares de pessoas possam aceitar que um só mande em todos?

-E respondia: porque cada um serve ao tirano esperando ser servido pelos demais, cada um é um pequeno tirano que serve os de cima para ser servido pelos de baixo. Por isso, dizia esse jovem, o tirano tem mil olhos e mil ouvidos para nos espionar, mil mãos para nos esganar, mil pés para nos esmagar porque somos nós, tiranetes, que lhe damos nossas vidas para que ele tenha poder para nos oprimir.

Como derrubar um tirano? 

Respondeu La Boétie: não lhe dando o que quer de nós, não lhe dando nossos olhos e ouvidos, nossas mãos e nossos pés, nossos filhos, nossa honra, nosso corpo e nossa alma, nossa vida. Somente o desejo de liberdade, igualdade e justiça pode derrubar a tirania. Recusar servir é recusar oprimir.

Quem está nos palácios ao lado do tirano e o rodeia com servilismo? 

Os bandidos. Quando bandidos se juntam, há conspiração e não companhia, e, temendo uns aos outros, não são amigos e sim comparsas e cúmplices. 

O que se opõe à bandidagem? 

Dizia o jovem La Boétie: a amizade. A amizade é coisa santa porque nasce do que há de melhor em nós, pois nela nos reconhecemos livres e iguais no bem querer e no bem fazer, partilhando e compartilhando nossas vidas, desejando aos outros o que desejamos para nós mesmos na ajuda mútua e desinteressada.

Trecho da entrevista da:
Professora ( Filósofa) Marilena Chauí.

Citando:
Etienne de La Boétie, que  foi um filósofo francês que escreveu: Servidão Voluntária

Coruja de Minerva

É o historiador responsável pelos juízos falsos da História?


— Considerando-se que cada Espírito encarnado tem sua tarefa especial nesse ou naquele setor evolutivo, as historiadores que se deixam mergulhar no interesse econômico das sinecuras políticas, embriagados pelo vinho da mediocridade, responderão além-túmulo pela exploração comercial da inteligência que hajam praticado na Terra, adulterando a justiça e o direito, evitando a verdade, ou fornecendo mentiras ao espírito confiante dos pósteros.

Do Livro O Consolador / Francisco Cândido Xavier/Questão 83